Acabei de voltar da academia. Era dia de terra. Tentei bater um PR e não consegui. Acho que há algum problema na forma. Fiz 3 repetições de 135. Precisaria de 5 para bater o PR. Minhas mãos estão hecho mierda, a pele rasgada embaixo dos dedos e no dedão. Eu usei cal e mesmo assim a pele rasgou. Talvez ela esteja mais macia depois de 15 dias sem tocar numa barra olímpica. Meus erector spinae estão cansados e hoje senti um cansaço nos hamstrings. Também bati bastante no joelho direito. Suspeito de alguma imperfeição na técnica que leva á esses infortúnios. Além disso, acho que não estou usando o trapézio ao levantar a barra do chão. Devo averiguar isso no próximo treino de terra. Comi ovos, joguei fora a carne que apodreceu na geladeira e deixei uma peça de frango de 450g degelando na pia. Não atingi minhas macros ainda nem minhas calorias. Com 350g de frango ainda preciso de 650 calorias. Tenho pensado demais na Laura e no homem com quem ela se envolveu depois que terminamos. Isso é bem ruim. Pensar nela me enfraquece. De alguma maneira eu ainda sinto que somos próximos. Esse sentimento é ilusório. Nós não somos nem nunca fomos próximos, como amigos, fraternalmente. Eu não conheço ela e ela não me conhece. Existe a aparência ou expectativa de intimidade, mas é uma intimidade incidental. A intimidade de pessoas que passaram por algo junto, não a intimidade de duas pessoas que se interessaram uma pela outra. Éramos duas pessoas carentes que se usaram para preencher essa carência. Não espere nada da Laura, ela não te deve nada e vice-versa. Não há mais nada que um posso dar ao outro que não seja paz. Silêncio. A presença dela no meu entorno me perturba. Porque desvia minha atenção. É fácil eu usar ela como distração, como desculpa. Ela foi uma desculpa. Para interromper e evitar o processo de amadurecimento que necessito. Vê-la, ouvi-la, pensá-la é abrir a possibilidade dessa interrupção. Existe ainda algo que incomoda. A sensação de que se eu passar por esse processo nosso vínculo poderia voltar a ser estabelecido. Uma ilusão. Uma vez amadurecido, vínculo como o que tivemos é inaceitável. A maturidade e o vínculo que tive com a Laura são contraditórios. Neste momento ela tem que ser subtraída, reduzida a imagem que tive dela. Ela realmente é uma pessoa estranha, ajena. Eu me relaciono hoje com a imagem que criei para mim mesmo. A imagem que desejei e amei. A imagem que idealizei e que é diferente da pessoa que está no mundo. Eu descontruo a imagem que está em mim, a pessoa que está no mundo eu sequer a entendo ou sei quem é. Ela é uma estranha. É o desenamoramento. Separando minhas projeções infantis do outro. Coisas alheias e inconciliáveis. O que te afeta não é a pessoa, é a imagem. O problema é ainda confundir uma pela outra. E essa confusão é volitiva. Escolher imprimir a imagem na pessoa é escolher a morte. A interrupção do processo, a não vida. É negar-se a si mesmo. Então mantenha a distância. Mergulhe em si mesmo. Desvencilhe-se da pessoa e dos fetiches que promovem a confusão.
Aceite que foi difícil e intenso porque foi sincero, uma regressão sincera e uma questão fulcral da tua vida. Por ser tão importante, tu encontraste uma distração que poderia operar de forma poderosa. Maya. O poder dela emana de ti e não de fora. Ela é tão poderosa quanto o descomprometimento que tens contigo mesmo. Quanto pior te tratas, mais poder ela tem. Quanto mais te desonras e indignifica, mais ela se fortalece.
Te honres, te ames, seja digno, age de acordo com quem és. Seja o teu melhor e não o teu pior. Te respeite. Do what you have to do.